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Tuvalu, Homem, de 20 a 25 anos
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Desculpas para a compra (ou às vezes eu surto mesmo)

_É. eu preciso mesmo comprar esse vestido, preciso. É uma compra super útil. Por quê? Oras, pros lançamentos dos meus livros. Se já estão prontos? Bem, o do 02 Neuronio sim. Quer dizer, já mandamos o texto pra editora. O romance eu tenho que entregar até o final do mês. Mas escuta, já estamos no final do mês.
Sim, e ao invés de ficar em casa e acabar, fui lá e comprei um vestido caro para o lançamento do romance que ainda não entreguei. Por que eu fiz isso, heim? Oras, porque estou morrendo de medo de acabar o romance, aí tive a idéia de comprar o vestido pro lançamento do livro que ainda não está pronto. Uma idéia, assim, nossa, incrível. Pior. A loja tinha uma promoção bizarra. Descobri que a grana que gastaria com o vestido poderia ser revertida em outras roupas que somassem o mesmo valor. "Pague e leve em dobro". Ou seja, um passaporte para a loucura humana que se manifesta em surtos de descontroles por peças do Alexandre Herchcovitch.
_Você precisa levar essa calça, Nina. É a calça mais incrível de todos os tempos e ela só fica boa em você. Em mais ninguém. E se você levar o vestido, que é uma peça que você precisa comprar por necessidade, ela vai sair de graça. Sim. E ainda vai dar para levar aquela blusinha.
Claro. Saí da loja com o vestido, a calça e a blusinha. E ainda fiz um desfile particular para amigos com as peças em casa.
Como diria o Tatá, às vezes eu surto MESMO.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 23h01
O melhor modelo da temporada

Na temporada passada, alguns leitores disseram, com razão, que em toda semana de moda eu uso esse blog para reclamar. Vocês têm razão. Reclamação é uma coisa chata e narcisista. Então, dessa vez decidi escolher meu modelo predileto, que é essa burca do Marcelo Sommer, amigo desse coletivo anarquista há anos.
No meu mundo da fantasia eu teria uma igual a essa, quadriculada de rosa, e poderia andar escondida quando eu não quisesse ser vista por ninguém. Mesmo nos lugares onde vão meus conhecidos. Eu me esconderia dentro dela em dias fóbicos.
Sim, é horrível pensar que mulheres têm que usar burca em alguns países, eu sei. Mas eu _só às vezes_queria me esconder.
(Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 00h26

O efeito terapeutico da roupa

Ok. É fútil mesmo. Por isso, aviso. Só terapia da roupa não ajuda,não. Faça análise junto. Muita análise. Isso posto. Às vezes parece que você vai morrer de ansiedade. É muita coisa ao mesmo tempo agora. Algumas coisas muito boas, mas coisa boa também dá medo. Você escolheu viver uma vida emocionante. Então, sabe como é. Alguns dias você acha que náo vai dar conta de tudo o que inventou (quem mandou ter tantas idéias, heim?), que não é uma boa voltar a gostar de alguém, que você não vai conseguir nem fazer o básico da sua vida, tipo resolver um problema idiota no trabalho. Aí você fica deitada uma meia hora na cama com o peito apertado. Aí o anjinho que mora dentro de você te manda levantar. Você vai, ainda mal, tomar um banho, o peito agora um pouco menos apertado. Depois do banho, você pensa em um modelo. Acha horrivel. Até que encontra um top antigo, que você não usa faz muito tempo e ele fica perfeitamente bem. Melhor ainda com aquele jeans e aquela bota. Uma melhora súbita é sentida (com a ajuda de alguns goles de café, claro). Se resolve os problemas? Já disse que não. Mas diminuir um aperto no peito é sempre bom. (Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 19h32
O medo de trair (a cabeleireira)
_ Olha, é realmente um assunto delicado. Se ela souber, vai ficar chateada.
_ Eu sei, eu sei. Mas eu preciso tentar, você me entende?
_ Claro que eu entendo, vou te dar o telefone dele, pode deixar.
_ E se ela descobrir?
_ Olha, Nina, aí o jeito vai ser omitir. Omitir não é mesma coisa que mentir, pense nisso.
_É, você está certa.
Não, eu e a minha amiga não falávamos sobre trair uma amiga, mentir para a mãe ou roubar o namorado de alguém. A pessoa em questão era uma cabeleireira. E o assunto sobre trair ou não trair a pessoa que corta o cabelo (e cobra, que fique claro) ocupou umas três conversas no café da firma. Em dias diferentes. Até que aparece um amigo, que por acaso tinha acompanhado todo o drama, sem se meter claro, mas com cara de pasmo.
_Você trairia o mecânico da sua moto?
_Claro. Vocês são loucas.
Sim. Somos.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 14h26
E já que é época de São Paulo Fashion Freak...
Nada de post reclamando dessa vez. Mas essa música do Wander Wildner (não sei se a letra é dele, se vocês souberem, please,avisem) é o meu mantra do momento:
Narciso Invertido
Veja só esse sou eu, veja só esse sou eu, veja só esse sou eu, veja só esse sou eu Sou narciso invertido, veja é bem mais divertido Olho pro espelho e sei que não é lá que estou Tenho tudo que preciso, amor, inteligência e riso E o que mais procuro sei que é aqui dentro que está Saca só essa aparência, sou é pura impermanência Keith Richards Iggy Pop é como quero estar O troféu e a champanhe talvez não seja eu que ganhe Não vou ser página da caras e isso é muito bom Vejo cada marca no meu rosto e acho bem legal, veja tudo vem e tudo gasta e isso é natural Saca só o meu kit de beleza, é meu coração sim com certeza, que se está feliz vê o universo todo se alegrar
Essa música diz tudo. Oh, yeah!
:: Escrito por 02 Neurônio às 01h49

Tentação do capeta
Costuma ser assim. Você volta de um país incrível e percebe que a sua vida está um lixo. Bastam poucas semanas para que você evolua espiritualmente. E, sim, aviso que o caminho da iluminação para freaks como eu e você, leitor, chama Berlin, e fica na Alemanha. Nada de Santiago da Compostela. Isso é coisa para escritores ricos. Os escritores um milhão de vezes menos abastados alcançam a elevação espiritual em lugares como Berlin.
Sim, explico. Lá você não vê pessoas ostentando fiozinhos brancos de i-pod no metrô. Eles usam qualquer MP4 mesmo. As pessoas também não ficam nesse papo de ter cadeira com nome de gente, aqueles objetos de design que valem uma grana. Pessoas bacanas montam casas inteiras com móveis do mercado das pulgas que custam uma pechincha. E nada de grifes, imagina! A cidade tem mesmo é um monte de brechó. O maior índice deles por metro quadrado já visto por essa que vos escreve. E muitos squats, aqueles prédios comunitárias que povoam nosso imaginário punk desde a infância. E, sim, ainda tem essa. As pessoas não estão numas de se matar de trabalhar e consumir, consumir, consumir. Berlin ñão é assm.
E você volta transformada, acreditando seriamente que alguma coisa de muito importante acontece naquela cidade estranha e que você foi atingida.
Hora de escrever em primeira pessoa.
Chego do meu Santiago da Compostela e ligo para a minha mãe:
_Tomei várias decisões. Não vou mais comprar roupa, eu fico nessa onda de consumo porque sou insatisfeita com a minha vida. Chega de faze o jogo do capitalismo. Também vou parar de andar de Táxi e agora vou andar muito a pé.
_Ah, e você também vai andar de metrô?, ela diz, conhecendo bem a filha que tem. Ela diz que aquilo não vai durar uma semana.
E na véspera de uma viagem para o Rio de Janeiro recebo um convite:
"Você é convidada para o primeiro dia do bazar do Alexandre Herchcovith". Fodeu. O diabo foi ali no Rio e armou uma armadilha filha da puta só para me testar. Mas nào, vou ao bazar só dá uma olhada. Até parece. Fui duas vezes em um final de semana e saí com a mão cheia de sacolas. E frustradíssima com a minha falta de firmeza ideológica. Sério.Mal humorada mesmo.
Um bazar provou que a minha utopia pessoal ainda é inviável. Mas me deixou cheia de roupas novas e baratas. Droga.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 00h18

Pele de vaca
Eu estava bem feliz com a minha bolsa nova, comprada por uma pechincha. Até que minha amiga Eva disse: “é linda, mas eu não uso couro.”
Fiquei sem palavras. Eu tinha esquecido que a bolsa era de couro! E isso porque a vendedora disse: “é legal esse couro cru, né?”
Sim, eu, vegetariana desde os 17 anos, tinha comprado uma bolsa de couro.
E a Eva piorou tudo. “Eu não consigo usar casaco de couro porque parece que tem uma pele de vaca me abraçando.”
Tá, a Eva está coberta de razão. Eu não como carne desde os 17 anos, repito. Desde que ouvi o Morrissey cantar Meat is Murder. E que a morte dos animais era sem razão, e morte sem razão era assassinato. Eu acredito nisso até hoje!
Mas aí lembrei que tinha comprado a bolsa de pele de vaca crua justamente para substituir outra, de pede de vaca marrom!
Eu sou uma perua incoerente. Pronto. E Morrissey, lá de London, deve ter visto tudo e me jogado uma praga. O fecho da bolsa nova estragou no primeiro dia em que eu a usei. Sim, mas eu vou na loja trocar. E a vegetariana há quase 20 anos desfilará por aí com mais uma pele de vaca pendurada nos ombros...
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 12h26

These boots are made for walking

Sim, eu sou vítima do efeito psicológico da bota. Passei praticamente o inverno inteiro andando sobre alguns pares delas. Em momento meio fundo do poço era fácil. Eu colocava botas com uma calça justa, descia as escadas da minha casa quase caindo e cambaleando, mas chegava na rua e me sentia ótima.
Deve ser de família. Até hoje a minha mãe é conhecida na cidade do interior onde morava como “a moça que andava de botas”.
As botas têm o efeito psicológico absolutamente ilusório A gente se sente segura ao andar sozinha na rua com elas, o salto fazendo barulho. Qualquer reunião de trabalho fica mais fácil se você é uma mulher de botas. E no mundo selvagem da noite, nem se fala. Uma moça de botas consegue ser fodona no meio de uma multidão de um show de rock mesmo cinco minutos depois de ter um ataque de síndrome do pânico.
O EPB (efeito psicológico da bota) deve ser forte mesmo. A Prada lançou botas para o verão, eu juro! E isso significa que vão copiar no Brasil, é claro. É uma coisa meio bizarra, uma bota que te deixa com os dedos para fora. Não vou usar, porque tudo no mundo tem limite.
Mas quando chegar o verão, certamente a minha vida será mais difícil sem o efeito protetor das minhas botas. Ah,claro. Não esquecer que em qualquer momento roubada é só lembrar da canção da Nancy Sinatra e cantar mentalmente: “Are ready boots? Start walking!!”
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 15h23

Medo e pânico no cabeleireiro
“Que produto é esse que você está passando na minha cabeça?” “Formol.” Pronto. Vou morrer. Sou uma mulher sentada na poltrona do cabeleireiro morrendo de angústia. Mais que isso, sinto a presença da morte se aproximando. Parece que estou em um avião em turbulência. Penso em respirar profundamente, como na ioga, mas não adianta. Se eu respirar muito fundo, posso respirar mais formol. E ter uma morte súbita.
Não me resta nada a fazer a não ser fechar os olhos e tentar não deixar que a angústia e o formol me sufoquem. Porque eu resolvi fazer escova progressiva num dia em que acordei angustiada? Simples, porque eu só ia cortar o cabelo, que estava realmente necessitado, mas aí a minha cabeleireira chegou e disse: “nada de cortar, o que eu posso fazer é uma escova progressiva!”
E eu não soube dizer não.
Mas, como tudo o que é ruim, existe a recompensa. Na hora em que o escovão acaba, e a chapinha acaba, e o medo de morrer começa a ceder... a moça diz “pode ir embora”. Sou tomada por uma sensação de alívio parecida com a que sinto quando o avião sai da turbulência e começa a voar em um céu de brigadeiro. Sim, é igual a aquela piada do português que batia a cabeça na parede porque depois dava alívio.
E o pior é que a vida, às vezes, é tão simples e idiota como uma piada de português...Mas tudo bem, foi só uma tarde de sábado. E, orgulhosa, afirmo: sou uma sobrevivente do formol. Por enquanto..(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 19h03

Inventário de um armário
Não, eu nunca jogo coisas fora do armário. Eu sei que é errado. Todos me dizem que tenho que trabalhar o desapego. Mas, antes disso, tenho que trabalhar de fato. Então, sim, fazia quatro anos que não rolava uma boa limpa no armário.Até que decidi me mudar e o armário precisava ser desmontado, assim como o resto da velha casa. Entrei dentro dele. E encontrei uma adorável vítima de modas, pechinchas, bazares (e principalmente de sua bagunça prática, mental e existencial)
Inventário:
3 calças de trocador de ônibus que eu amava usar nos anos 90 (uma foi guardada de recordação)
3 calças de boca larga, muito larga, estilo pantalona. Para doação. Se alguém quiser.
3 blusas compradas no bazar do Reinaldo Lourenço que nunca foram usadas. Uma e de seda e, além de não fazer meu estilo, nunca será passada.
10 calcinhas velhas, sem elásticos e feias jogadas no lixo
1 camisola de bichinho que nos anos 90 usei como modelo no VMB e achei que arrasei.
1 camiseta de um namorado que eu sei bem quem é e foi doada para a minha mãe (ele me entregou coisas uma vez em um saco de magipac e eu jamais faria o mesmo).
1 camiseta esquecida por uma amiga (doada, porque não era boa para a amiga, segundo eu em momento doida).
1 camisa vintage de outra amiga (guardada indefinitivamente até que ela sinta falta, segundo eu, em momento egoísta).
1 moleton de namorado desconhecido que foi doado para a mesma mãe. Talvez seja do mesmo namorado da camiseta, mas eu não colocaria no lsaco etc etc etc.
1 cueca de procedência absolutamente desconhecida que foi guardada porque deve dar sorte ter uma cueca guardada junto com as calcinhas. Mas como ele conseguiu esquecer a cueca, meus sais? É meio pequena, de homem magro. O homem desconhecido pode pedir de volta se quiser, mas é meio velhinha.
1- camiseta da primeira vitória do Lula (guardada como recordação).
3 sapatos de bico muito fino estilo de bruxa que eram sucesso faz uns dois anos.
4 pares de tênis daqueles chamativos dos anos 90 (doados).
2 minissaias do Marcelo Sommer que causaram surto de ciúmes em um ex (doadas para a filha de uma amiga de 10 anos, eram realmente muuuito curtas).
1 bilhete de um ex namorado jogado fora. Não por mágoa, mas porque não fazia mais sentido.
4 bolsas de carteiro de jabá doadas
13 camisetas velhas e muito curtas ou muito justas que eu jamais usaria de novo.
O tempo passa. E Nina, a vítima da moda, dos bazares, das roupas e, principalmente, de sua própria bagunça (mental, existencial e prática), acumula, acumula e acumula lixinhos variados. Mas todos fofos de alguma forma. Duas sacolas para doação. Mais umas duas caixas de livros ruins. E mais um pouco de espaço sobrando para coisas que um dia não vão mais prestar.
(Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 00h38

Toda a verdade sobre os cremes anti-celulite
Mesmo você, moça que não tem exatamente a bunda tomada pelas cascas de laranja, as famosas celulites, um dia ainda vai usar o tal creme. Sim, afinal, você quer prevenir que a celulite tome o seu corpo! E por conta disso, você vai gastar os tubos com os tais cremes. Por isso, vamos desmistificar os cremes anti-celulite!
Verdades
- Eles custam muito dinheiro!
Sim, é quanto mais caro, mais você vai achar que ele funciona. Sempre vai ter uma amiga que já usou um caríssimo e fez um efeito incrível. E mesmo que você nunca tenha visto a bunda dela, você vai acreditar e vai desembolsar uma pequena fortuna no creme. Ah, também tem a incrível obsessão pelas promoções do Free Shop e você vai atazanar algum amigo pra comprar pra você.
- Você nunca vê exatamente um resultado
A não ser nas fotos da embalagem, você nunca consegue perceber um resultado do tal creme. Quer dizer, com sua boa vontade, você acha que algum resultado está rolando. Se não você seria muito otária de pagar quase R$100 num pega-trouxas. E sempre que você pergunta pra alguém, esse alguém fala que você não tem celulite.
- A indústria de cosméticos fatura uma fortuna com os cremes
Sim, isso é a mais pura verdade, aliás a única que realmente temos! Afinal, por baixo, gastamos muito dinheiro durante anos nos tais cremes. Só pra prevenir!
MENTIRAS
- Celulite tem cura
Se algum creminho curasse a celulite, bastaria a gente aplicar uma vez e tchannnnaaan! O problema estaria solucionado.
- Homem liga pra celulite
Homem que é homem nem sabe a diferença entre estria e celulite, como diz nosso amigo Xico Sá. E se ligar, deve ser muito metrossexual pra gente.
- A Gisele Bundchen passa o creme Bye-Bye Celulite, da Nivea
Não passa, apesar de ser a garota-propaganda. Mas a gente compra, porque estava com um preço ótimo e acaba com as celulites em até 4 semanas!
:: Escrito por raq affonso às 18h25

De salto alto (em casa)
“Que barulho de salto é esse? Tá com bofe novo?” A pergunta veio de um amigo hetero por telefone (claro, só um macho ouviria som de andar com salto alto pelo telefone!). “Que bofe, não tem bofe nenhum aqui e eu nem vou sair de casa”. E expliquei para ele que nós, mulheres, somos maravilhosamente loucas.
Era um domingo. E depois de voltar de uma tarde de compras, decidi experimentar a bermuda sexy, mas que me deixa com a perna curta, com todos os meus sapatos de salto. Na hora em que o telefone tocou, eu andava pela minha própria casa, de onde só sairia no dia seguinte e só abriria a porta para o homem do dellivery (para quem eu não daria, porque a vida não é Sex and The City) com um sapato de salto meio fetichista, com um laço vermelho na frente. E foi, assim, vestida para matar, que vii Big Brother e comi uma baked potato do América. O domingo pode ser entediante, mas nada que faça cair do salto. E ainda deu para aplicar um discursinho feminista no amigo: “Você acha que eu uso salto alto só para agradar homem, eu não”.
E ainda tem um sutiã lilás, absurdo, que veio na mesma sacola. Será que coloco amanhã para ver novela?
Garotos, a gente até se veste para vocês. Mas tem vezes que é para a gente mesmo. Eu juro. E o hábito vem desde quando brincávamos de boneca de papel. O bom de crescer é que temos mais modelos e podemos brincar de boneca de papel com a gente mesma. E nem precisamos tomar cuidado para não amassar aquelas roupinhas frágeis...
:: Escrito por 02 Neurônio às 01h02

A dura vida no império do efêmero
Corro com uma bolsa na mão e o celular na outra. Sei que o inferno se aproxima mas insisto em falar sobre a vida mesmo assim para fincar um pouco o pé na realidade.
"Tenho que desligar. Vou entrar no desfile da Gisele e pra isso preciso brigar". "Não se estresse", ele diz, sem saber (ainda bem) da gravidade do momento. Se eu não me estressar não entro. E se eu náo entrar não faço o meu trabalho, que consiste em saber se o Presidente da República vai assistir ao desfile da modelo.
Desligo. E me estresso só um pouco. Considero que a entrada foi fácil. Bastou entrar me acotovelando em um grupo de pessoas se batendo (todas maiores que eu), gritar meu nome e o do jornal para onde trabalho e ser puxada por uma assessora de imprensa para dentro da sala. Na hora em que fui puxada precisei me espremer entre os seres humanos, a bolsa quase caiu e o cabelo despenteou. Mas foi ótimo! Pois eu nem apanhei.
Dentro da sala, cheguei a pensar que o Presidente tinha vindo. "Relaxa. É só a Flavia Alessandra". alguém me diz. Sento no meu lugar na primeira fila, bem em frente ao Lulu Santos e a algumas cadeiras do Falcáo do Rappa. "O que essa gente veio fazer aqui, meu deus?". Sou tirada do devaneio quando penso que o Presidente agora chegou. "Relaxa, é só o Governador do Estado e a sua comitiva", me dizem.
As pessoas aplaudem beatificadas. Quase choram. Olham para Gisele como se ela fosse uma reencarnação de Jesus. Parece que algumas vão se ajoelhar e cair com as mãos em formato de oração. Elas gritam.
A Gisele é linda, mas é só uma modelo. Mas não, deus agora é representado por pernas longas e peitões. O mundo acabou. E a vida é doce no império do efêmero.
(Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 16h55

A arte de levar um bofe ao bazar
Quando começamos a falar histéricas sobre o boato, ele só fez levantar as sobrancelhas e apertar um cigarro. Fumava devagar enquanto observava meia dúzia de mulheres histéricas confabulando. Quanto mais a data se aproximava, mais ele achava tudo muito esquisito. Comecei a receber até telefonemas interurbanos. Do Cazaquistão e da Conchinchina. Todas só falavam daquilo.
Era verdade?
Ou mais uma lenda natalina?!
Sim, estávamos todas loucas. Mas foi só quando eu decretei que ia faltar o serviço que ele tomou coragem e veio tomar satisfações do porquê de tanto alvoroço. Soltei minha mulher bicha interior e gritei:
- Meu amor, é um bazar do Alexandre Herchcovitch!!!!!!!
- De quem?
Não havia dúvidas. Aquele era um cabra macho e eu já tinha desconfiado disso quando ele jurou pelo Padre Cícero que nunca ter ouvido falar o nome “Isabela Capeto” na vida. Apaguei as luzes da sala. E quando ele achava que ia começar um strip-tease... acendi o retroprojetor. Era hora de uma palestrinha rápida sobre a vida e obra do estilista. Da Santa Marcelina à Semana de Moda de Paris. Como as proporções eram boas, os cortes impecáveis, o acabamento exemplar, a mistura dos tecidos que cria caimentos diferenciados e todos os clichês que aprendi nas minhas coberturas de semana de moda, ganhando a vida como farsante charlatã . E o que ele disse diante de tanta informação?
- Ôxe.....
E assim foi, tratando nosso bazar com um certo desdém. Só depois do meu retorno com uma sacolinha cheia de pechinchas que ele começou a desconfiar que aquilo não era tão ruim. Principalmente porque foi agraciado com uma camiseta com uma caveira malévola estampada, que poderia ser usada até por integrante da banda Ratos de Esgoto. Anunciei logo: todo dia iam abrir novas caixas cheias de mercadorias. Uma oportunidade única.
- Ah é? E... será que lá tem.... alguma... calça para mim?
O que?! Será que aquilo era um sonho? Um delírio auditivo provocado pelo uso continuado de Auram 300 mg?! Meu deus, não podia ser verdade. Ele queria mesmo ir. Fui até a janela, soltei dois morteiros comemorativos e prometi subir a escadaria da Igreja da Penha de joelho carregando uma vela em cada mão. Afinal, não é todo dia que um bofe se dispõe a ir, por livre e espontânea vontade , num bazar de moda, espécie de inferno do bem, com mulheres e gays descompensados se esbofeteando. Marcamos, então, uma ida juntos ao evento, sem compromisso. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta.
O que eu não sabia é que um enviado arquetípico do mundo secreto dos homens estava de tocaia, observando tudo revoltado, prestes a estragar o nosso programa. O homem do gás. Sim, que “precisava dar continuidade ao conserto da tubulação” e resolveu marcar a visita justamente para a manhã de fashion descontrol. Combinamos que eu telefonaria após o conserto. E quem disse que o homem aparecia!? Liguei para bofe para tentar contornar a situação.
- Vai indo que eu vou depois!
- Ôxe. E você acha mesmo que eu vou entrar nesse bazar sozinho, junto com formadores de opiniões e hypes?
Nessa hora, esqueci que estava sem café e banho quente faz três dias e, em nome dos bons modelos masculinos, cancelei a visita do gasista. E rumei para o Jardim Botânico para encontrá-lo. Quase na entrada, ele resolve cuspir e dar uma boa escarrada ali mesmo no glamouroso Espaço Tom Jobim. Tem coisa mais linda?
E foi assim que entramos no Bazar do Alê, um paraíso de araras cercado de All Stars de florzinhas e caveiras por todos os lados!!
Ele tirou nota 10 com louvor e medalha de horna ao mérito. Na hora de experimentar a calça, nem se importou com a falta de provador. E só disse uns cinco "deus me livre", "credo" e afins. Saímos de lá com nossas sacolas incríveis.
Camiseta do bazar: R$ 25. Ter que tomar café na padaria: R$ 2. Ver seu namorado vestindo uma calça de alfaiataria do Alexandre Herchcovitch... não tem preço!
Aleluia Nossa Senhora dos Modelos Glamourosos!
Salve, salve. Amém .
:: Escrito por Jô Hallack às 23h07
Enquanto isso,no Reino das Pochetes

A foto é Gustavo Godinho. A personagem... Monique Erva, animadora do vale-tudo gay em Belém.
:: Escrito por Jô Hallack às 12h30
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