UOL Estilo UOL Estilo






Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese

Neste blog Na Web

 Visitas  
 

 
 

Cala a boca, Ana Wintour!

Ana Wintour decreta o fim do salto alto”. Li isso em um site. Eu amo quando as pessoas escrevem coisas como se fossem ordens. Então, agora é assim. Uma mulher editora de uma revista lá dos Estados Unidos mandou todas as  pessoas do mundo pararem de usar salto. Ela assinou um protocolo proibindo tal uso. E, do jeito que essas coisas são noticiadas, bem, parece que ela vai mandar a polícia fashion prender quem usar um saltinho que seja. Essa pessoa será colocada em um porão. E torturada até a morte.

Dá um tempo, Ana Wintour. A senhora acha mesmo que manda no mundo porque edita uma revista chamada Vogue América? Cala a boca, ditadora! Cale-se. Fiquei por aqui rindo disso tudo. E um pouco apavorada porque sempre me assusta saber que tem gente que acha que pode mandar em pessoas, no mundo, no que as pessoas vestem, do que as pessoas gostam, de quem as pessoas gostam.

Não, senhora Vogue América, a gente não vai deixar de usar salto porque a senhora mandou. A gente vai continuar se equilibrando e andando por aí com o dia já nascendo em cima de salto porque queremos. E só por isso. E também não vamos usar salto quando não quisermos. Iremos continuar fazendo o que o nosso desejo manda. E isso é uma metáfora que serve para tudo. E também um recado para todas as Anas Wintours da vida. (Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 17h09
 
 

Algumas frases ouvidas na São Paulo Fashion Freak dia 1

Tô com vontade de bater nessas bonecas que estão usando essas roupas idiotas.”

(de uma jornalista indo embora onze da noite, sobra uma exposição da Bienal que fica perto da sala de imprensa)

 

“Gente, vamos juntas que lá na frente o negócio está dramático”

 (de uma jornalista criando uma tática com as amigas para entrar no desfile da Colcci)

 

“Eu não vou levar esse travesseiro da Colcci porque se dormir nele vou ter pesadelo”

(de outra amiga, com medo do brinde da Colcci)

 "Eu me divirto no desfile da Colcci porque é uma coisa Faustão"

(dessa que vos escreve)

“Podiam inventar a bolha fashion. Um lugar onde a gente entrasse e ficasse quieto”

(da Jô)

 

“Pelo amor de Jesus Luz, que ninguém me tire desse lugar na fila B que não é meu”

(da Jô)

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 00h23
 
 

Mostrando os sutiãs

Lembro da minha mãe, quando eu era pequena. "O sutiã está aparecendo?". Era a época do sutiã bege. E de um sem alça horroroso... e bege! Tudo para não aparecer. Como ser usar a tal peça fosse uma vergonha!

Nos anos 90, garotas legais inverteram de novo a ordem da lingerie. Sim, antes as nossas queridas "mães feministas" já haviam queimado seus sutiãs em praça pública. Mas nossas manas de geração decidiram assumir os seus. Vergonha de usar sutiã? Vergonha por ter peito (em todos os sentidos?). A gente não!

Lembro de tudo isso quando escolho o modelo. Não tenho a menor dúvida na hora de pegar um sutiã preto para usar com camiseta branca. Isso para mim já é o normal, o hábito. E é bom andar pelas ruas com a alça aparecendo. Os pés pisando firme no chão. Valeu, manas pós feministas. Ainda estou com vocês.

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 14h43
 
 

As liquidações de fim de ano

 

Funciona assim: depois de você gastar os tubos no Natal, ainda assim algumas peças encalharam nas lojas. Então, os lojistas resolvem fazer as liquidações de fim de ano, entre os dias 26 e 31. Para que otários, como você, decidam dar uma passadinha no shopping, para trocar presentes que não serviram (ou eram bizarros) e resolvam dar uma conferida nas tais liquidações.

 

Resultado: você - que já tinha se dado umas roupinhas de presente, afinal, estava precisando - resolve que não pode perder a incrível liquidação da Zara.

 

Parênteses: uma liquidação da Zara não é uma liquidação qualquer. É o tipo de liquidação na qual as mulheres surtam, começam a ligar umas pras outras pra avisar, ficam tontas e passam mal e fazem compras incríveis.

 

Pois bem: você no shopping lotado pós-natal, pra trocar uma blusinha que ganhou da Renner. Aliás, um momento de muito orgulho, pois a pessoa que deu o presente acha que eu visto P. Mas antes da Renner, você passa na Zara. A loja parece um campo de batalha, com roupas jogadas por todos os lados, pessoas gritando, filas em formato de caracol e você lá,  meio desnorteada. Você fala para o pretê:

 

- Vai na seção masculina, daqui a pouco a gente se encontra.

Ele:

- A fila tá muito grande, acho que não vou comprar nada.

- Mas eu vou.

 

E lá se vai ele, resignado, aproveitar as super ofertas.

 

E você lá, garimpando as puras pechinchas. A única coisa ruim de super liquidações é que às vezes, a etiqueta cai da roupa, tamanho o rebuliço. E na hora de pagar, depois de uma fila de meia hora, na qual o seu pretê fez a gentileza de ficar, enquanto você experimentava sandálias de apenas R$49,00, você descobre que as duas lindas peças sem preço, são um pouco caras.

 

E a sua linda economia das liquidações de fim de ano se transformam em 5 suaves parcelas.

 

Antes tivesse passado na Renner antes.

 

 

 

:: Escrito por raq affonso às 00h06
 
 

Duelo com a depiladora

Acontece todos os anos. Chega o verão. E com ele, a vontade (não. não é necessidade) de depilar a virilha para colocar um biquini sem pêlos saindo do lado. Antes de tudo. Depilar a virilha dói. Dói pra caramba. É horrível. Mas além da dor, é preciso se preparar para o debate ideológico com a depiladora.

Um aparte. Eu entendo a depiladora. Se o meu trabalho fosse depilar virilhas, eu também acharia uma loucura alguém só fazer isso uma vez por ano. A virilha sem pentelhos é mais que o trabalho, é quase a ideologia da moça que me pega de jeito. E eu entendo isso de verdade. É sério.

Por isso, fico quieta. Mas uma hora sempre começa. "Ah, você devia fazer isso mais vezes". O olhar para mim é sério, bravo. E continua: "a mulher precisa fazer isso para se sentir mais cuidada". Continuo em silêncio. Quer dizer, nessa hora eu digo: "não, não precisa". E sinto minha dor com a resignação dos incoerentes.

E não, eu não sigo moda com os meus pêlos púbicos. E isso é, sim, quase uma questão ideológica. E os homens? E desde quando eu transo com alguém que repara nessas coisas? Eu não.

E nada contra os que reparam, as que depilam tudo ou as que se amarram em uma virilha cavada. Cada um é de um jeito. Aprendi isso faz muito tempo. Só não me acostumo mesmo é com patrulha ideológica. E nem com o "todo mundo ter que ser assim porque disseram que é para ser assim". Nunca.

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 20h56

"Como a gente se vestia mal"

"Como a gente se vestia mal nos anos 90", confessa o Dengue, da Naçao Zumbi, amigo desse coletivo desde sempre. "A gente se achava incrível com aquelas roupas, e vocês também. Vocês também se vestiam muito mal", solta o mano na madrugada chuvosa do Rio. A amiga D continua. "E aquelas camisolas? Como a gente saía daquele jeito na rua? A gente queria chocar, eu acho, e isso é até legal". "Mas a gente nem sabia ser brega de verdade, éramos bregas mal vestidos", pensa em voz alta o Dengue.

Lembro do VMB em que me achei linda com uma camisola, uma meia três quartos e uma plataforma. E eu tinha cabelo rosa, claro. Mais de dez anos depois..."Agora a gente tá muito mais elegante", diz o Dengue. E nos anima cinco da manhã, porque não há mulher nesse mundo que não goste de ser chamada de elegante. "Hoje a gente é clássico", conclui o amigo.

E, claro, roupa não é nada que importe tanto. O que importa é poder rir de si mesmo, te lembranças e ter história. E continuar pronta para o pogo dez anos depois. Yes. (Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 17h54

Desculpas para a compra (ou às vezes eu surto mesmo)

_É. eu preciso mesmo comprar esse vestido, preciso. É uma compra super útil. Por quê? Oras, pros lançamentos dos meus livros. Se já estão prontos? Bem, o do 02 Neuronio sim. Quer dizer, já mandamos o texto pra editora. O romance eu tenho que entregar até o final do mês. Mas escuta, já estamos no final do mês.

Sim, e ao invés de ficar em casa e acabar, fui lá e comprei um vestido caro para o lançamento do romance que ainda não entreguei. Por que eu fiz isso, heim? Oras, porque estou morrendo de medo de acabar o romance, aí tive a idéia de comprar o vestido pro lançamento do livro que ainda não está pronto. Uma idéia, assim, nossa, incrível. Pior. A loja tinha uma promoção bizarra. Descobri que a grana que gastaria com o vestido poderia ser revertida em outras roupas que somassem o mesmo valor. "Pague e leve em dobro". Ou seja, um passaporte para a loucura humana que se manifesta em surtos de descontroles por peças do Alexandre Herchcovitch.

_Você precisa levar essa calça, Nina. É a calça mais incrível de todos os tempos e ela só fica boa em você. Em mais ninguém. E se você levar o vestido, que é uma peça que você precisa comprar por necessidade, ela vai sair de graça. Sim. E ainda vai dar para levar aquela blusinha.

Claro. Saí da loja com o vestido, a calça e a blusinha. E ainda fiz um desfile particular para amigos com as peças em casa.

Como diria o Tatá, às vezes eu surto MESMO.

(Nina Lemos)

 

:: Escrito por 02 Neurônio às 23h01

O melhor modelo da temporada

Na temporada passada, alguns leitores disseram, com razão, que em toda semana de moda eu uso esse blog para reclamar. Vocês têm razão. Reclamação é uma coisa chata e narcisista. Então, dessa vez decidi escolher meu modelo predileto, que é essa burca do Marcelo Sommer, amigo desse coletivo anarquista há anos.

No meu mundo da fantasia eu teria uma igual a essa, quadriculada de rosa, e poderia andar escondida quando eu não quisesse ser vista por ninguém. Mesmo nos lugares onde vão meus conhecidos. Eu me esconderia dentro dela em dias fóbicos.

Sim, é horrível pensar que mulheres têm que usar burca em alguns países, eu sei. Mas eu _só às vezes_queria me esconder.

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 00h26

O efeito terapeutico da roupa

Ok. É fútil mesmo. Por isso, aviso. Só terapia da roupa não ajuda,não. Faça análise junto. Muita análise.

Isso posto. Às vezes parece que você vai morrer de ansiedade. É muita coisa ao mesmo tempo agora. Algumas coisas muito boas, mas coisa boa também dá medo. Você escolheu viver uma vida emocionante. Então, sabe como é. Alguns dias você acha que náo vai dar conta de tudo o que inventou (quem mandou ter tantas idéias, heim?), que não é uma boa voltar a gostar de alguém, que você não vai conseguir nem fazer o básico da sua vida, tipo resolver um problema idiota no trabalho. Aí você fica deitada uma meia hora na cama com o peito apertado.

Aí o anjinho que mora dentro de você te manda levantar. Você vai, ainda mal, tomar um banho, o peito agora um pouco menos apertado. Depois do banho, você pensa em um modelo. Acha horrivel. Até que encontra um top antigo, que você não usa faz muito tempo e ele fica perfeitamente bem. Melhor ainda com aquele jeans e aquela bota. Uma melhora súbita é sentida (com a ajuda de alguns goles de café, claro).

Se resolve os problemas? Já disse que não. Mas diminuir um aperto no peito é sempre bom.

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 19h32

O medo de trair (a cabeleireira)

 

_ Olha, é realmente um assunto delicado. Se ela souber, vai ficar chateada.

_ Eu sei, eu sei. Mas eu preciso tentar, você me entende?

_ Claro que eu entendo, vou te dar o telefone dele, pode deixar.

_ E se ela descobrir?

_ Olha, Nina, aí o jeito vai ser omitir. Omitir não é mesma coisa que mentir, pense nisso.

_É, você está certa.


Não, eu e a minha amiga não falávamos sobre trair uma amiga, mentir para a mãe ou roubar o namorado de alguém. A pessoa em questão era uma cabeleireira. E o assunto sobre trair ou não trair a pessoa que corta o cabelo (e cobra, que fique claro) ocupou umas três conversas no café da firma. Em dias diferentes. Até que aparece um amigo, que por acaso tinha acompanhado todo o drama, sem se meter claro, mas com cara de pasmo. 

_Você trairia o mecânico da sua moto?

_Claro. Vocês são loucas.

Sim. Somos.

(Nina Lemos) 

:: Escrito por 02 Neurônio às 14h26

E já que é época de São Paulo Fashion Freak...

Nada de post reclamando dessa vez. Mas essa música do Wander Wildner (não sei se a letra é dele, se vocês souberem, please,avisem) é o meu mantra do momento:

Narciso Invertido

Veja só esse sou eu, veja só esse sou eu,
veja só esse sou eu, veja só esse sou eu
Sou narciso invertido,
veja é bem mais divertido
Olho pro espelho e sei que não é lá que estou
Tenho tudo que preciso,
amor, inteligência e riso
E o que mais procuro sei que é aqui dentro que está
Saca só essa aparência, sou é pura impermanência
Keith Richards Iggy Pop é como quero estar
O troféu e a champanhe talvez não seja eu que ganhe
Não vou ser página da caras e isso é muito bom
Vejo cada marca no meu rosto e acho bem legal,
veja tudo vem e tudo gasta e isso é natural
Saca só o meu kit de beleza,
é meu coração sim com certeza,
que se está feliz vê o universo todo se alegrar

Essa música diz tudo. Oh, yeah!

:: Escrito por 02 Neurônio às 01h49

Tentação do capeta

Costuma ser assim. Você volta de um país incrível e percebe que a sua vida está um lixo. Bastam poucas semanas para que você evolua espiritualmente. E, sim, aviso que o caminho da iluminação para freaks como eu e você, leitor, chama Berlin, e fica na Alemanha. Nada de Santiago da Compostela. Isso é coisa para escritores ricos. Os  escritores um milhão de vezes menos abastados alcançam a elevação espiritual em lugares como Berlin.

Sim, explico. Lá você não vê pessoas ostentando fiozinhos brancos de i-pod no metrô. Eles usam qualquer MP4 mesmo. As pessoas também não ficam nesse papo de ter cadeira com nome de gente, aqueles objetos de design que valem uma grana. Pessoas bacanas montam casas inteiras com móveis do mercado das pulgas que custam uma pechincha. E nada de grifes, imagina! A cidade tem mesmo é um monte de brechó. O maior índice deles por metro quadrado já visto por essa que vos escreve. E muitos squats, aqueles prédios comunitárias que povoam nosso imaginário punk desde a infância. E, sim, ainda tem essa. As pessoas não estão numas de se matar de trabalhar e consumir, consumir, consumir. Berlin ñão é assm.

E você volta transformada, acreditando seriamente que alguma coisa de muito importante acontece naquela cidade estranha e que você foi atingida.

Hora de escrever em primeira pessoa.

Chego do meu Santiago da Compostela e ligo para a minha mãe:

_Tomei várias decisões. Não vou mais comprar roupa, eu fico nessa onda de consumo porque sou insatisfeita com a minha vida. Chega de faze o jogo do capitalismo. Também vou parar de andar de Táxi e agora vou andar muito a pé.

_Ah, e você também vai andar de metrô?, ela diz, conhecendo bem a filha que tem. Ela diz que aquilo não vai durar uma semana.

E na véspera de uma viagem para o Rio de Janeiro recebo um convite:

"Você é convidada para o primeiro dia do bazar do Alexandre Herchcovith". Fodeu. O diabo foi ali no Rio e armou uma armadilha filha da puta só para me testar. Mas nào, vou ao bazar só dá uma olhada. Até parece. Fui duas vezes em um final de semana e saí com a mão cheia de sacolas. E frustradíssima com a minha falta de firmeza ideológica. Sério.Mal humorada mesmo.

Um bazar provou que a minha utopia pessoal ainda é inviável. Mas me deixou cheia de roupas novas e baratas. Droga.

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 00h18

Pele de vaca

Eu estava bem feliz com a minha bolsa nova, comprada por uma pechincha. Até que minha amiga Eva disse: “é linda, mas eu não uso couro.”

Fiquei sem palavras. Eu tinha esquecido que a bolsa era de couro! E isso porque a vendedora disse: “é legal esse couro cru, né?”

Sim, eu, vegetariana desde os 17 anos, tinha comprado uma bolsa de couro.

E a Eva piorou tudo. “Eu não consigo usar casaco de couro porque  parece que tem uma pele de vaca me abraçando.”

Tá, a Eva está coberta de razão. Eu não como carne desde os 17 anos, repito. Desde que ouvi o Morrissey cantar Meat is Murder. E que a morte dos animais era sem razão, e morte sem razão era assassinato. Eu acredito nisso até hoje!

Mas aí lembrei que tinha comprado a bolsa de pele de vaca crua justamente para substituir outra, de pede de vaca marrom!

Eu sou uma perua incoerente. Pronto. E Morrissey, lá de London, deve ter visto tudo e me jogado uma praga. O fecho da bolsa nova estragou no primeiro dia em que eu a usei. Sim, mas eu vou na loja trocar. E a vegetariana há quase 20 anos desfilará por aí com mais uma pele de vaca pendurada nos ombros...

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 12h26

These boots are made for walking

Sim, eu sou vítima do efeito psicológico da bota. Passei praticamente o inverno inteiro andando sobre alguns pares delas. Em momento meio fundo do poço era fácil. Eu colocava botas com uma calça justa, descia as escadas da minha casa quase caindo e cambaleando, mas chegava na rua e me sentia ótima.

Deve ser de família. Até hoje a minha mãe é conhecida na cidade do interior onde morava como “a moça que andava de botas”.

As botas têm o efeito psicológico absolutamente ilusório A gente se sente segura ao andar sozinha na rua com elas, o salto fazendo barulho. Qualquer reunião de trabalho fica mais fácil se você é uma mulher de botas. E no mundo selvagem da noite, nem se fala. Uma moça de botas consegue ser fodona no meio de uma multidão de um show de rock mesmo cinco minutos depois de ter um ataque de síndrome do pânico.

O EPB (efeito psicológico da bota) deve ser forte mesmo. A Prada lançou botas para o verão, eu juro! E isso significa que vão copiar no Brasil, é claro. É uma coisa meio bizarra, uma bota que te deixa com os dedos para fora. Não vou usar, porque tudo no mundo tem limite.

Mas quando chegar o verão, certamente a minha vida será mais difícil sem o efeito protetor das minhas botas. Ah,claro. Não esquecer que em qualquer momento roubada é só lembrar da canção da Nancy Sinatra e cantar mentalmente: “Are ready boots? Start walking!!”

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 15h23

Medo e pânico no cabeleireiro

“Que produto é esse que você está passando na minha cabeça?” “Formol.” Pronto. Vou morrer. Sou uma mulher sentada na poltrona do cabeleireiro morrendo de angústia. Mais que isso, sinto a presença da morte se aproximando. Parece que estou em um avião em turbulência. Penso em respirar profundamente, como na ioga, mas não adianta. Se eu respirar muito fundo, posso respirar mais formol. E ter uma morte súbita.

Não me resta nada a fazer a não ser fechar os olhos e tentar não deixar que a angústia e o formol me sufoquem. Porque eu resolvi fazer escova progressiva num dia em que acordei angustiada? Simples, porque eu só ia cortar o cabelo, que estava realmente necessitado, mas aí a minha cabeleireira chegou e disse: “nada de cortar, o que eu posso fazer é uma escova progressiva!”

E eu não soube dizer não.

Mas, como tudo o que é ruim, existe a recompensa. Na hora em que o escovão acaba, e a chapinha acaba, e o medo de morrer começa a ceder... a moça diz “pode ir embora”.  Sou tomada por uma sensação de alívio parecida com a que sinto quando o avião sai da turbulência e começa a voar em um céu de brigadeiro. Sim, é igual a aquela piada do português que batia a cabeça na parede porque depois dava alívio.

E o pior é que a vida, às vezes, é tão simples e idiota como uma piada de português...Mas tudo bem, foi só uma tarde de sábado. E, orgulhosa, afirmo: sou uma sobrevivente do formol. Por enquanto..(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 19h03