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Alfaiataria descontruída

Cabine em loja de moda.


- Então, mas como é que eu visto essa roupa.

-  Veja bem, ela é destruturada

- Tá, mas onde enfio o braço?

- Bom, a cabeça você enfia aqui neste buraco
- Na manga?

- É alfaiataria desconstruída.
- Sei.
- É tendência.
- Enfiar a cabeça na manga?
- Deixa que eu te ajudo.
- Mas e esse botões, onde é a casa do botão?
.
- As casas dos botões são nas costas.
- Como assim?

- Nas costas. Assim, enquanto você se veste, você própria cria a modelagem.

- No caso eu estou comprando uma roupa para que alguém faça a modelagem por mim.
- É que essa é tendência. O cliente também é criador. Conseguiu passar o outro braço?
- Quase.

- Olha como ficou! Luxo!
- Jura? Tô achando meio sem form
a.
- Desestruturado.
-  Ah é. Isso aí. Engordou?
- Te emagreceu até!
- Mas eu tô me achando muito magra. Queria que me en...

- Olhando bem, acho que engordou.
- Tem outra peça no estoque? Essa está com defeito.

- Isso é um recorte.

- Esse rasgado?

- É um vazado detonado. Como eu te falei é..
- (impaciente ) Tendência...
- Exatamente.

- Acho que o meu braço ficou preso aqui nesta manga.
- Não é manga. Era a casa do botão.
- Desse tamanho?
- Maxi model...

- Não importa. Me tira daqui.
- O interessante dessa peça ...

- Me tira daqui, anda. Está formigando. Prendeu a circulação. Eu tenho fragilidade capilar.
- Calma, senhora
- (aos berros) Calma o caralho! Eu vou gangrenar. Liga pruma ambulância. Eu vou perder o braço.
- Senhora, calma.
- E se eu perder o braço. Como é que vai ficar?

- (...)
- Eu quero sabe como é que vai ficar!
-  Vai ficar tudo bem, senhora.

-  (rindo histérica) Tudo bem?
- O assimétrico está na moda.

 

 

 

 

 

 

:: Escrito por Jô Hallack às 17h37
Minhas fitas cassetes

 

Num breve interlúdio de sua vida, quando você tem tempo de respirar e arrumar gavetas em uma tarde com temporal, acha duas caixas. Pesadas, lá no fundo do armário, com um pouco de bolor na tampa.

 

E quando você abre, dá de cara com sua querida coleção de fitas cassetes. Empoeiradas, sujas diretamente dos anos 80 e 90. Você resolve ver se o seu som com gravador ainda funciona. Sim, um som meio bizarro e devagar começa a sair no velho 3 em 1, que você comprou numa promoção da loja do Gugu. 

 

A idéia era jogar todas as velharias fora. Renovação. Mas você salvou seis raridades, até para o seu filho saber como era armanezar músicas antes do I-Pod.

 

As sobreviventes:

- General - Tape 1 - coletânea que vinha junto da revista General, do querido amigo Forastieri

- The Top - The Cure

- Halfway to sanity - Ramones

- Jesus and Mary Chain - lado a - Beastie Boys e variados - lado b

- Uma fita que não sei o que tem, mas gosto da decoração

- The lost dog tape - fita com músicas com cachorros

- E uma coletânea variada, que tem de Radiohead a Morphine

 

E uma linda dança para animar o dia:

http://www.youtube.com/watch?v=cfOa1a8hYP8

 

:: Escrito por raq affonso às 17h03
Eu, a rainha do bulling (e o Ronaldo)

Quando eu era adolescente, não existia a palavra bulling. Eu também não sabia o que era coió. Mas hoje, vendo vendo de longe, posso afirmar: EU ERA A RAINHA DO BULLING. Não, eu não praticava. Eu tomava. E como.

Quando eu tinha 15 anos, raspei meu cabelo máquina 1. Apelido: Maria Alcina. Mas não pensem que era um apelido velado. Eu morava em uma cidade do interior e, quando andava na rua, as pessoas gritavam: Maria Alcina! Maria Alcina!

Na mesma época, chamavam  eu e meus amigos, de turma da Anthony (eu, antonina, prazer). Eu não podia sair na rua em certas horas, pois uns 15 playboys gritavam meu nome em coro. A turma, da qual supostamente eu era líder (o que não era verdade), era considerada maconheira (verdade), suja (mentira, a gente era perua e usava só produtos do boticário, que eram tudo na época) e de putas (outra mentira, já que nós, garotas, éramos virgens e fiéis aos nossos namorados que “não podiam passar a mão no peito”).

Eu cresci (dã). Mudei para cidades grandes e..... pronto.  Início da década de 90, Rio de Janeiro. Estava sentada com a Jo em uma esquina conversando provavelmente sobre o Jim Jarmush ou algum brinquedo novo (não sexual) que devia ser inventado, quando UMA TORTA DA CHAIKA VOOU BEM NA NOSSA CARA. Sim, os playboys passaram de carro e nos atacaram.

Pensava que estava bem longe disso tudo, que era uma mulher feita, quase discreta. Recebi um convite para ser jurada de um evento do Mix Brasil. A apresentadora (uma pessoa famosa) incitou o ódio contra mim. Fui vaiada por 500 pessoas. Tenho testemunhas.

Achei que tinha superado tudo. E que nunca mais aceitaria ser jurada de evento do Mix Brasil, até que apareceram os trolls na Internet e, pronto, virei a rainha do cyberbulling. Já fui chamada de tudo o que vocês podem imaginar. E ainda sou.

Ano retrasado, arrumei um  namorado fofo de tudo e que eu ainda amo e que me ama. Coisa linda, não ? Pois fomos alvos de todos os bullings que vocês podem imaginar. E não vou contar os motivos porque isso é problema nosso. Quer dizer, nem é problema, a gente é amigo para sempre. Mas a gente junto devia ser um problema para os outros. Já que fomos atacados em grupinhos de “ex amigos” em festas. E cada coisa que a gente ouviu  dói até hoje. Acho que para mim e para ele, menino especial que era o rei do bulling desde sempre.

E por que eu resolvi fazer esse revival de bulllings logo hoje ? Não, não foi para falar que FOI HORRÍVEL, porque acredito que isso também já tenha acontecido com vocês e com qualquer pessoa que seja livre. O que me fez falar em bulling foi me pegar chorando vendo a despedida do Ronado ontem. E ver as pessoas fazendo “piada” na internet sobre o tal “gornaldo”, enquanto o menino abria seu coração e chorava potes em rede mundial.

Ronaldo levou bulling quando foi pego com os travestis. Ronaldo levou bulling cada vez que chorou em público, cada vez que jogou mal e, principalmente, quando engordou. O mundo resolveu gritar: GORDO! Não deve ter sido fácil para ele. Mas ele, como eu, e como vocês, vai sobreviver.

E o que a gente aprende com tudo isso ? A não praticar bulling nos outros. O que já é uma grande coisa. Quer dizer, alguns aprendem, outros não. E decidem se vingar dos bullings tomados jogando pedra em qualquer um que apareça. Mas isso é problema deles. Não é nosso. (Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 14h10