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Check-up

- Então doutor, o que eu tenho?
- Você está morto. De resto, está tudo bem.
- Até mesmo o colesterol?
- Já que você mencionou, ele está um pouco alto.
- Mas é colesterol bom ou o ruim?
- Acho que você está sendo um pouco maniqueísta ao colocar as coisas nestes termos.
- Tem outra coisa: eu tava me achando um pouco pálido...
- Levando em conta o seu estado, isso é completamente normal. Não tem porque se preocupar.

:: Escrito por Jô Hallack às 00h16
Tudo bem

- Você vai ficar bem – ele disse.

E foi o que aconteceu.

Ela estava tranqüila, sorria. O vestido era uma coisa linda, coisa de procissão ou casamento. O cabelo, penteado com capricho, preso atrás como ela gostava. Flores, somente as mais bonitas. Primavera fora de hora. Ela estava realmente bem.

Deu até dó de jogar aquele cimento por cima mas, vocês sabem, este é o meu trabalho. Tenho três filhos para criar e carteira assinada.

:: Escrito por Jô Hallack às 00h42
A revolução não será televisionada

Vamos passar o final de semana inteiro vendo televisão e comendo besteira?! Vaaamos!  E pronto:  lá estávamos, eu e ela, numa casa de serra tendo um salgadinho em uma mão e um controle remoto em outra.  O paraíso na Terra.

Foi assim, meias se arrastando entre a cozinha e a sala, que começamos a assistir Discovery Channel. O programa era sobre o sexo entre os animais. Muito educativo.

A fêmea do Louva-Deus, por exemplo, come (literalmente) a cabeça do macho durante a cópula. Só que isso, ao invés de matar rapidamente o sujeito, faz com que ele fique superexcitado e coma (no sentido figurado) a louva-deus loucamente. Quando acaba o ato, ela está grávida e ele, morto.
Vejam o caso das hienas: a fêmea  tem um clitóris tão, mas tão grande, que parece mais um membro masculino. Fica até ereto. Ela podem botar o pau na mesa,  mandam em todo mundo do bando. Não preciso dizer que o clitóris avantajado faz com que as moças fiquem se esfregando entre elas e ignorem os machos, que ficam ao redor mendigando atenção para copularem de vez em quando. 
O especial terminava com imagens inéditas de um verme do fundo do mar, que tinha um nome esquisito que começa com B. Apelidamos, carinhosamente, de Verme Bonelli.  (Se você tem este sobrenome, entenda, não é um motivo pessoal. Foi o primeiro nome que nos veio à cabeça!)  Pois a verme fêmea simplesmente fica guardando os machos dentro dela mesma.  Eles ficam lá presos a vida inteira. Não podem sair para nada, nem para tomar chope com os amigos no Baixo Gávea, nem para ir à pelada. Sair para comprar cigarro, nem pensar! E ficam lá quietos, sem querer ter DR, dando prazer à verme fêmea! Isso que é vida!

Não preciso dizer que quando acabou esta aula de biologia já estávamos praticamente em pé no sofá  - as duas - decretando uma nova  revolução feminista (e colocando mais salgadinhos no forno).  Como nós, mulheres,  temos tantos percalços com os homens?  É problema de relacionamento para cá, namoros fracassados para lá, tem dia que acordamos nos sentindo uó, choramos, nos sentimos rejeitadas, somos chamadas de rádio-patroa, temos que aturar os maiores absurdos em troca de uma cópula como, por exemplo, assistir a mesas-redondas.
Nós, as fêmeas!!! 
 Podem ir parando por aí!

A natureza é sábia e somos  nós que mandamos nesta joça! Isso mesmo! E os homens que se cuidem!  Tem que se dar por satisfeitos por não serem verme bonelli e pararem de dar trabalho!

Tor, o cachorro, único macho na área,  sentiu o  clima pesar para o lado dele e saiu à francesa.  Comemos mais uns 20 salgadinhos e juramos que nunca mais íamos dar moleza para esta gente.  A essa altura, toda a população de Pompéia já tinha sido carbonizada no programa seguinte, a história de Vulcão Vesúvio. Chatíssimo.

Mudamos de canal e foi aí que aconteceu o pior: acabamos vendo um filme de princesa.  Era uma Cinderela com algumas adaptações ridículas, como ela ser amiga do Leonardo DaVinci.  Ela comia o pão que o diabo amassou, era gongada por todos  e até humilhada pelo príncipe. Mas, no final, ele a salvava e aparecia num cavalo gritando ‘eu te amo’.  Choramos , eu e ela, discretamente.

Nunca uma revolução durou tão pouco tempo.

:: Escrito por Jô Hallack às 21h55
Acidente geográfico

O lago é plácido. Águas lisas, o calor do sol esquentando a superfície. O tempo demora a passar, brisa vem, o mato cresce em volta, devagar. Um pio, longe. O verão já está chegando. Cigarras. O lago é plácido, diferente de um rio. O que, invariavelmente, esquecemos: No lago, submersa, a natureza é a mesma. A placidez do acidente geográfico esconde a sua crueldade. É aí que tudo começa. Estava a menina da beira do lago, varinha de bambu, retratinho bucólico. Como eu disse: a placidez do acidente geográfico esconde a sua crueldade. Só encontraram um par de botinas, na margem, com duas meias enroladinhas, cada uma dentro de um  sapato.

:: Escrito por Jô Hallack às 19h31