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Resignação do pós-operatório

Cada um tem a sua cruz para segurar. Meio catastrófico, mas geralmente é assim que a vida é. Uns tem problemas sentimentais, outros físicos, outros financeiros. E alguns têm todos esses problemas juntos! Depois de um tempo, você consegue fingir que tem controle sob sua vida e é uma pessoa madura. Daí tenta, por exemplo, tirar os problemas emocionais da frente. Quase nunca dá certo, mas pelo menos você pode dizer que tentou.

Mas voltando às cruzes. Caso você tenha uma cruz no campo da saúde, daí sim, sua vida pode ficar um pouco infortuniosa. Esperamos que não seja nada sério e tenha cura. No meu caso, a cruz se localiza no joelho direito, que já passou por três cirurgias, a última na semana passada.

A cirurgia não é nada demais, ainda mais com as novas técnicas de morfina via intravenosa. O pior mesmo, é o pós-operatório. Você, com o joelho todo costurado, sem andar, tendo que fazer compressas de gelo o tempo todo. Mas o pior mesmo, é ter paciência para dar boletim médico para todos: família, amigos e passantes. Afinal, o pós-operatório é demorado, dolorido e devagar. E repassar uma terrível operação dessas múltiplas vezes, é infernal.

Mas você se resigna, afinal, sabe que tudo é apenas o amor e a preocupação das pessoas. E você fala pela milionésima vez sobre as técnicas de anestesia. E vai fazer mais uma compressa e rezar pra na próxima encarnação, sua cruz ser um pouco menos dolorida.

 

:: Escrito por raq affonso às 16h43
O Homem da Poltrona ao Lado

Outro dia uma amiga chegou na minha casa bem empolgada. Voltava de uma viagem de trabalho e tinha conhecido um Homem da Poltrona ao Lado. Um cara dos sonhos. Uma espécie de arquiteto especialista só em coisas ecologicamente corretas (e ela é toda zen). Um tipo de amante da natureza e do bom gosto ao mesmo tempo,tudo sem ser pedante. E nem era moleque não! O homem da poltrona ao lado tinha seus 40 anos e, claro, além de merecer o prêmio nobel da paz da arquitetura ecologicamente correta, era lindo. Ela se lamentava por não ter pego o telefone dele.

Dia desses foi a minha vez. Na poltrona ao lado tinha um loiro bonitinho que passou a infância em uma ilha da alemanha oriental. Uma espécie de Robinson Crusoé com infância comunista. Lindo, claro. E lido. Leu o tempo todo. Até durante as turbulências mais graves, momentos em que pensei em segurar a sua mão e pedir consolo. Também não peguei o telefone da minha mistura de Robinson Crusoé com Nick Cave e Che.

Mas eu e minha amiga não podemos nos lamentar.

Os Homens da Poltrona ao Lado são uma ilusão. Eles não existem na vida real. Só estão ali, vivos, ao nosso lado, conforme a duraçào do vôo ou da viagem de ônibus. Conheci o Nick Cave da Ilha em uma ponte aérea. Ou seja, gente perfeita existe. Mas só por 45 minutos. Depois, eles desaparecem no espaço. Sim, o Homem da Poltrona ao Lado provavelmente não passa de uma holografia... Mas valem mais que uma cadeira vazia.

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 22h50