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Um paletó em casa

- Oi vó, tudo bem?

- Tudo indo minha filha. E você, tá feliz?

- Tô vó.

- Que bom, segura isso! Não dá ouvido ao que as pessoas falam, não dá conversa pro que eles dizem.

- ....

- Ninguém sabe o que se passa na sua casa, das suas dificuldades.

- É, vó?

- É! A gente sabe que com um paletó dentro de casa, pra ajudar a gente. Criar um filho sozinha é muito difícil.

- Um paletó?!

- É minha filha. Segura isso.

:: Escrito por raq affonso às 23h04
Enquanto isso, no presídio...
Mãe, sou eu. Sou eu, eles me pegaram

Ela atende o telefone no meio da noite e se apavora.
- Eles me pegaram mãe
- Meu deus.... meu deus...
- Mãe, me ajuda
- Eles te pegaram!

Até que a ficha cai

- Calma aí . Eu não tenho filho!
- Mãe, mãe....
- Vai se fuder, eu não tenho filho!!!
- Você que vai se fuder. Vou te pegar, tu vai acordar morta.
- Vai me pegar? Eu quero que você se foda seu filho da puta, seu escroto
- Vai se fuder piranha!
- Mas eu queria....
-Queria se fuder, piranha escrota!?
- Eu queria ter, eu queria ter filho. Porque eu não tenho filho? Até as pessoas feias do meu trabalho têm filhos. Têm filhos e marido!
- Quê?


E o que seria apenas uma chantagem originada em um presídio se transforma num draminha existencial.

- Eu tentei com o Rodolfo. A gente se amava...
- Olha só, minha senhora, vou ter que desligar....
- ... O Rodolfo daria um ótimo pai... Ele era um amor de pessoa, sabe. Você ainda tá aí?

:: Escrito por Jô Hallack às 02h04
Mulher ao mar!
Boas deviam ser as despedidas nos portos, portos com marinheiros, portos com botes, coletes salva-vidas, tudo ali pronto. Para casos de afogamento no mar de lágrimas.
As despedidas em aeroporto são mais civilizadas.
- Meu amor, pensa em mim quando comer a barrinha de cereal.
Pode faltar coragem para isso. Então, é aquele adeus comportado na saída do prédio e depois só o porteiro fica vendo o nosso choro pela câmera indiscreta do elevador.
Não podemos mais correr pelos saguões em desespero. Ninguém mais corre pela plataforma do trem. Onde se descabelam as mulheres no reino da escova progressiva?
A gente engole o choro. E se afoga por dentro.
Maidei, maidei. I love you, I love you.
:: Escrito por Jô Hallack às 23h56

A idílica solidão nos cafés

Estou sentada sozinha em um café. É noite de domingo. Estou quietinha com o meu computador. Dois caras aqui do lado até puxaram assunto, mas um papo educado. Perguntaram que língua eu falava com gentileza.

Uma moça sozinha com o seu computador aqui em um bar de noite não é uma coisa estranha, pelo contrário. Sim, estou de férias em Berlin (e eu realmente mereço isso).

E agora, tranqüila com o meu café e o meu cigarro, comecei a pensar: por que em São Paulo ou no Rio de Janeiro a gente não tem o hábito de fazer a mesma coisa, heim? Por que não sentamos sozinhas para escrever, fumar, pensar na vida?  

Eu não faço isso porque sou uma babaca. Explico: eu tenho medo de que as pessoas me encontrem e pensem: “tadinha da Nina, ela é tão solitária.” Sim, um narcisismo ridículo. Mas vocês também são assim. Ou não?.

Só que a culpa não é só minha. Outro dia esperei os amigos saírem de um show por horas no mesmo café. Era sexta-feira depois das onze e o bar estava cheio. Só que ninguém veio me perturbar. Não passou nenhum playboy perguntando se eu queria companhia. E também não me olharam estranho.

Espero que a gente possa fazer isso um dia no Brasil, que é a nossa casa. Que a gente possa sentar só em lugares do caralho.E que gente não tenha que lidar com olhares de julgamento dos outros. E nem da gente.  

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 17h53