Enquanto isso, no presídio...
Mãe, sou eu. Sou eu, eles me pegaram
Ela atende o telefone no meio da noite e se apavora.
- Eles me pegaram mãe
- Meu deus.... meu deus...
- Mãe, me ajuda
- Eles te pegaram!
Até que a ficha cai
- Calma aí . Eu não tenho filho!
- Mãe, mãe....
- Vai se fuder, eu não tenho filho!!!
- Você que vai se fuder. Vou te pegar, tu vai acordar morta.
- Vai me pegar? Eu quero que você se foda seu filho da puta, seu escroto
- Vai se fuder piranha!
- Mas eu queria....
-Queria se fuder, piranha escrota!?
- Eu queria ter, eu queria ter filho. Porque eu não tenho filho? Até as pessoas feias do meu trabalho têm filhos. Têm filhos e marido!
- Quê?
E o que seria apenas uma chantagem originada em um presídio se transforma num draminha existencial.
- Eu tentei com o Rodolfo. A gente se amava...
- Olha só, minha senhora, vou ter que desligar....
- ... O Rodolfo daria um ótimo pai... Ele era um amor de pessoa, sabe. Você ainda tá aí?
Mulher ao mar!
Boas deviam ser as despedidas nos portos, portos com marinheiros, portos com botes, coletes salva-vidas, tudo ali pronto. Para casos de afogamento no mar de lágrimas.
As despedidas em aeroporto são mais civilizadas.
- Meu amor, pensa em mim quando comer a barrinha de cereal.
Pode faltar coragem para isso. Então, é aquele adeus comportado na saída do prédio e depois só o porteiro fica vendo o nosso choro pela câmera indiscreta do elevador.
Não podemos mais correr pelos saguões em desespero. Ninguém mais corre pela plataforma do trem. Onde se descabelam as mulheres no reino da escova progressiva?
A gente engole o choro. E se afoga por dentro.
Maidei, maidei. I love you, I love you.