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Medo e pânico no cabeleireiro

“Que produto é esse que você está passando na minha cabeça?” “Formol.” Pronto. Vou morrer. Sou uma mulher sentada na poltrona do cabeleireiro morrendo de angústia. Mais que isso, sinto a presença da morte se aproximando. Parece que estou em um avião em turbulência. Penso em respirar profundamente, como na ioga, mas não adianta. Se eu respirar muito fundo, posso respirar mais formol. E ter uma morte súbita.

Não me resta nada a fazer a não ser fechar os olhos e tentar não deixar que a angústia e o formol me sufoquem. Porque eu resolvi fazer escova progressiva num dia em que acordei angustiada? Simples, porque eu só ia cortar o cabelo, que estava realmente necessitado, mas aí a minha cabeleireira chegou e disse: “nada de cortar, o que eu posso fazer é uma escova progressiva!”

E eu não soube dizer não.

Mas, como tudo o que é ruim, existe a recompensa. Na hora em que o escovão acaba, e a chapinha acaba, e o medo de morrer começa a ceder... a moça diz “pode ir embora”.  Sou tomada por uma sensação de alívio parecida com a que sinto quando o avião sai da turbulência e começa a voar em um céu de brigadeiro. Sim, é igual a aquela piada do português que batia a cabeça na parede porque depois dava alívio.

E o pior é que a vida, às vezes, é tão simples e idiota como uma piada de português...Mas tudo bem, foi só uma tarde de sábado. E, orgulhosa, afirmo: sou uma sobrevivente do formol. Por enquanto..(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 19h03

Viajar sem o filho

Pra uma pessoa que não tira muitas férias durante o ano, duas semanas de descanso são uma espécie de benção do senhor. Uma dádiva. Ainda mais se você for fazer uma viagem. Só que quando você pensa em viajar com o filho de dois anos, um cansaço já se aproxima. Afinal, você não leva ninguém pra ajudar. E cuidar de um menino de dois anos fora de casa é uma espécie de maratona. Nada parecido com férias.

Dai você resolve viajar sem o filho. Pra fora do Brasil. E a consciência pesada bate.

Vai ser uma oportunidade única pra descansar. Mas mãe tem peso na consciência. Mesmo viajando muito com o filho. A possibilidade de fazer uma viagem sem ele, já deixa com remorso.

E na hora de fechar a mala, ele entra dentro e se fecha. Você quase desmarca.

E torce pra não morrer de saudades.

:: Escrito por raq affonso às 14h34
Dos astros
Tem dias que eu acordo deprimida e aí, depois, eu penso:
- Deve ser uma coisa astral. Algum planeta fora do lugar. Um alinhamento das constelações. Retorno de saturno, eclipse, desmantelamento da via láctea.

É bem reconfortante, melhor do que pensar que você está deprimida com a própria vida.
:: Escrito por Jô Hallack às 23h15

Conversa de meninos

Os homens, em uma rodinha, conversam animadamente sobre caravelas, mares desbravados e, em seguida, comentam entusiasmados os feitos do Amir Klink.
_Ele é o maior desbravador de nossos tempos, diz um deles.
_ Será que ele não sente falta de sexo? diz outro
Resolvo intervir:
_É que ele é tipo um médico que opera criancinhas. Se você está concentrado operando uma criança, não vai pensar em sexo.
Ele sempre faz cara de descrente para as minhas metáforas. Mas gosta delas, eu sei. Sacode a cabeça com ar de "como ela pode falar uma coisa dessas?" Mas em seguida imagina o Amir Klink operando uma criancinha em alto mar e abraçamos o surrealismo imaginando as operações feitas dentro de um barco.
Eu adoro me meter em uma conversa de homens. E nós, garotas, sempre damos o toque surrealista que falta em um debate de caras sobre mares desbravados, navegações e outros emocionantes papos de meninos. Eles fazem cara de descrentes. Mas, aposto, não conseguem viver sem as nossas intervenções. Em muitos sentidos.
(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 17h27