De salto alto (em casa)
“Que barulho de salto é esse? Tá com bofe novo?” A pergunta veio de um amigo hetero por telefone (claro, só um macho ouviria som de andar com salto alto pelo telefone!). “Que bofe, não tem bofe nenhum aqui e eu nem vou sair de casa”. E expliquei para ele que nós, mulheres, somos maravilhosamente loucas.
Era um domingo. E depois de voltar de uma tarde de compras, decidi experimentar a bermuda sexy, mas que me deixa com a perna curta, com todos os meus sapatos de salto. Na hora em que o telefone tocou, eu andava pela minha própria casa, de onde só sairia no dia seguinte e só abriria a porta para o homem do dellivery (para quem eu não daria, porque a vida não é Sex and The City) com um sapato de salto meio fetichista, com um laço vermelho na frente. E foi, assim, vestida para matar, que vii Big Brother e comi uma baked potato do América. O domingo pode ser entediante, mas nada que faça cair do salto. E ainda deu para aplicar um discursinho feminista no amigo: “Você acha que eu uso salto alto só para agradar homem, eu não”.
E ainda tem um sutiã lilás, absurdo, que veio na mesma sacola. Será que coloco amanhã para ver novela?
Garotos, a gente até se veste para vocês. Mas tem vezes que é para a gente mesmo. Eu juro. E o hábito vem desde quando brincávamos de boneca de papel. O bom de crescer é que temos mais modelos e podemos brincar de boneca de papel com a gente mesma. E nem precisamos tomar cuidado para não amassar aquelas roupinhas frágeis...












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