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Quero virar uma zebra

Zebras não têm úlceras. Parece que o cérebro delas é super simples e elas não se estressam com nada. Só quando o leão vem atacá-las e elas se vêem no perigo iminente. Aí, elas ficam meio estressadas. E saem correndo. E depois ficam na boa de novo.

E daí? E daí que um cientista fodão, Robert Sapolsky, estudou babuínos durante muito anos (não sei porque o título tem zebras e não babuínos!) e escreveu "Why Zebras Don't Get Ulcers" (Por Que Zebras Não Têm Úlceras, de 1994), em que explica porque nós, seres humanos, não devemos ser tão estressados. Segundo ele, as pessoas ficam antecipando os problemas. E se estressando antes mesmo que eles aconteçam.

E o que acontece? Elas queimam seus neurônios e seu estômago. Ficam estressadas, neuróticas e com úlceras.

O cientista sugere que as pessoas pensem de maneira mais simples. Ou seja: relaxem. Não estressem. Não antecipem os problemas. Deixem rolar. Uma coisa meio difícil, né?

Mas úlcera dói. Muito. Eu já tive uma. E não quero ter de novo. Então, acho que vou tentar virar uma zebra.

 

:: Escrito por raq affonso às 23h14
Seu cadarço está desamarrado!

Por Nina Lemos 

A moça anda pela rua apressada. Quatro da tarde e ainda nem almoçou.  É cutucada por uma senhora: "seu cadarço está desamarrado!", a tia diz, como se andar assim na rua fosse uma coisa proibida por lei. Por um minuto, a moça acha que vai apanhar da velhinha.

Um minuto depois, um ambulante passa e grita: "cadarço desamarradooo". Como se fosse, sei lá, um crime na rua. Tipo um arrastão. Quem anda com cadarço desamarrado ameaça a ordem urbana. Os passantes acham que podem gritar com eles e cutucá-los. Tudo bem os carros avançarem o sinal! Tudo bem os cachorros fazerem cocô na rua. Tudo bem um homem passar a mão na bunda de uma mulher. Tudo isso pode! Mas cadarço desamarrado, nunca! 

Parece que a única coisa realmente proibida nas ruas do Brasil tem a ver com cadarço.    

E a moça nunca caiu por causa dos seus cadarços.

E tem tanta coisa mais importante na vida do que um cadarço desamarrado. Tanta coisa... Mas, só de raiva, ela pensa em nunca mais na vida amarrar um tênis. Ela, que não tem carro nem cachorro. Ela, que nem incomoda os outros. 

 

:: Escrito por 02 Neurônio às 11h24

Como fugir dos seus problemas

As pessoas dizem que não adianta você sair de um lugar achando que você vai se livrar dos seus problemas. Porque problema são coisas grudentas, que vão com você para qualquer lugar. Mas, de vez em quando, não custa tentar. Vai que algum problema, no meio do caminho, se perde? Além do mais, fugir dos problemas tem uma vantagem. Mesmo que seus problemas estejam com você, ocupando a sua mente, os novos problemas ficarão afastados!

 

Claro que quando você chegar no local da fuga – o bom são destinos ermos, sem meios de comunicação – problemas novinhos em folha estarão lá esperando por você. Você pode pegar bicho do pé. Torcer o pulso numa atividade lúdica. Cair de amores por um caiçara. Ou não cair de amores por ninguém. Por outro lado, os novos problemas que surgirão no seu habitat natural não vão surtir efeito em você, porque ninguém vai conseguir te avisar. E estes é que são os piores problemas. Um bicho do pé não é nada comparado a você descobrir que foi enganada pelo seu contador e que deve R$ 50 mil ao fisco. Ou R$ 500. Um bicho do pé é ótimo! Ele pode até te fazer companhia, conversar sobre a novela, fazer um cafuné.

 

Então, para fugir bem de um problema, você deve fazer que nem eu: pegue um táxi, um avião, outro táxi, um catamarã, um jipe, um barco, um trator. Sim, enquanto vocês lêem estas linhas, estarei em algum momento desta travessia. É verdade, não estou roubando na conta. Pronto, você conseguiu chegar num lugar muito muito muito longe. Sim, você é neurótica e levou o celular. Mas o único jeito dele pegar é você ficar andando com ele pela beira da praia tentando conseguir um tracinho. Vocês sabem o que eu estou falando. Claro que você vai passar a semana inteira com comichão, perguntando para pescadores onde tem um cyber-café.

 

Não ter um cyber-café já é um problema em si. Aí você vai ficar com este comichão pensando “ai, minha nossa senhora, será que tem algum problema novo que eu não tô sabendo?”. Sim, porque embora odiemos nossos problemas, somos viciadas neles. Então, depois de não conseguir nenhum tracinho, você provavelmente irá fretar um trator e ficar andando pelo areal até conseguir um cyber-café. Aí vai abrir seu email e descobrir um problema novo. Soma-se a isso, claro, o bicho do pé e o pulso luxado. Aí você vai voltar deprimida no trator, pensando no novo problema, e pensando que o motorista do trator não está a fim de você. Ó vida, ó azar.

 

Pensando bem, acho que desistir de viajar!!

 

PS: Tudo isso se você for mulher. Se você for homem vai ficar na beira do mar curtindo a vida.

:: Escrito por Jô Hallack às 03h13